Banalizaram a palavra "AMOR"
Confundem os sentimentos: amor é uma coisa e bem querer é outra coisa; a gente pode gostar de muitas pessoas, desejar o bem, se sentir bem na presença de outras pessoas...mas o amor, ah, o amor!
O amor é muito mais profundo, o amor é sublime, é a perfeição, são atitude e atos; amar é estender as mãos ao outro amado sem que o outro peça, é se antecipar ao pedido de socorro do outro e acudí-lo, afagar a alma do outro nas alegrias e nas dores: isso sim é o amor!
É a lealdade, é saber que pode acontecer o que for, mas o outro estará sempre junto a ti.
Me assusta um pouco ver pessoas que mal se conhecem se declarar ao outro sem ter convicção desse sentimento...não se ama as almas, hoje o amor é de conveniência, existe o “se”: eu te amo “se”; eu te amo “pelo”; eu te amo “por”; por sua beleza fulgaz ou por seu dinheiro; pelo seu status ou pela sua juventude, pela sua inteligencia ou por sua esperteza: por isso ou por aquilo. Mas a verdadeira essência que cada traz em seus sentimentos mais profundos,aí sim é onde o amor deveria existir.
São tantas as condicionais para os amores tão efêmeros e fulgazes.
Eu lembro de minha avó e meu avô bem velhinhos, ouvindo juntos as notícias pelo rádio em um sofá singelo de uma modesta casa; ela sentada e ele deitado apoiando sua cabeça no colo de sua “Nenzinha’, a sua companheira tão preciosa de tantos e tantos longos anos.
E ela amava o seu “Quincas”, reclamava com ele por suas teimosias de um senhorzinho idoso metido a fazer estripulias de querer consertar o telhado, de querer mexer em sua surrada maletinha de ferramentas; eles se amavam de verdade; quando a sua amada foi-se para o céu, o médico deu um ano de vida para ele; não que ele estivesse doente, mas a dor em perder a sua tão preciosa companheira seria tamanha que ele não suportaria e assim se cumpriu:em um ano e meio ele foi ao encontro dela.
Ontem uma amiga minha estava muito triste pois seu irmão acabou um casamento de 40 anos em função de um “deslumbramento” por uma jovem mulher de 21 anos...e assim, do nada ele sai de casa e larga a sua companheira de jornada que foi parar na cama prostrada e inconformada, doída em sua estima.
O que acontece finalmente?
Será que meus avós foram muito tolerantes ou o amor deles era sobrenatural?
Será que o amor dos outros personagens citado era fraco ou nunca existiu?
Será que existe mesmo “alma gêmea” ou o que não existe mais é amor de verdade?
Por que se troca tanto de companheiro(a) se lá na frente outros defeitos poderão também vir á tona? E quando acabarem esses tremores? Jogá-se fora esse alguém e vai atrás de outros tremores e emoções tão passageiras?
E afinal quem tem razão?
Deve-se permitir entregar às tantas paixões ou deve-se deixar seu coração terno e agradecer a Deus por ter tido um alguém em sua jornada que sempre afagou a sua alma e te ofertou uma companhia incondicional por uma jornada inteira?
Quem tem razão ou o que é o certo, quem somos nós para julgar...mas que o amor de Nenzinha e Quincas emocionava, isso ninguém pode negar; de vez em quando o amor existe.
E não existe para quem quer; acredito que o amor existe para quem acredita nele não como uma paixão que só faz tremer, alucinar...o amor existe para quem acredita que uma jornada de mãos dadas com duas pessoas que crescem juntos e lutam juntos, isso sim: é tesouro de vida!
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